Orléans, 1 de fevereiro de 2014.
Ficar tão longe de você e por tanto tempo não estava nos meus planos.
Onde estou agora? Em Orléans, na França. E você está em São Paulo com seu pai, seus avós e a Nina, sua cachorra que não gosta de crianças, mas te suporta (no fundo ela te ama - depois conto mais sobre isso).
Já faz duas semanas que estou aqui e vou ficar ainda mais 31 dias (!) sem você.
A saudade não passa nem quando nos falamos por skype (esse é o modo mais fácil e barato de comunicação à distância nos dias de hoje).
Vim para cá porque recentemente minha vida tomou outro rumo, inicialmente não planejado. Perdi um emprego e na sequência apareceu a oportunidade de um doutorado (um nível bem elevado de estudo) que envolvia esses estágio aqui na França.
Graças ao apoio do seu pai de de seus avós, eu pulei de cabeça e aqui estou, esperando ansiosamente a sua chegada (sua e do seu pai), para que finalmente e oficialmente você entre na história de descobrir e redescobrir o mundo de nossa família.
Mas essa não foi a única razão de escrever para você.
Antigamente escrevíamos em papel e isso se chama carta. Hoje em dia esse sistema é pouco usado por pessoas com acesso à tecnologia, como nós, por isso achei que essa seria a forma mais legal de me comunicar com você e de contar a sua história. Vou chamar isso de cartas, pois acho mais legal.
Muitas serão como retrospectivas e sem necessariamente uma ordem cronológica.
Com essas cartas você vai poder me conhecer melhor e talvez me perdoar no futuro por todas as minhas faltas para com vocês.
Com essas cartas você vai poder me conhecer melhor e talvez me perdoar no futuro por todas as minhas faltas para com vocês.

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